Um bate-papo com o presidente 2025-26 do Rotary International, Francesco Arezzo
Postado em: 10 de Julho de 2025 por Rotary Club de Ribeirão Preto-Oeste
Francesco Arezzo estava sentado com um amigo em sua conferência distrital quando recebeu um telefonema pedindo que ele saísse da sala e participasse de uma reunião via Zoom com o Conselho Diretor do Rotary International. Poucos minutos depois, Arezzo soube que havia sido escolhido como presidente do RI para 2025-26, sendo o terceiro italiano e o primeiro do sul da Itália a liderar a organização global de associados. Como a notícia não havia sido anunciada oficialmente, ele não podia contar a ninguém. Mas logo percebeu celulares espalhados por toda a sala.

“Quando a notícia chegou nas redes sociais, por volta das 23h, estávamos no meio do jantar de gala”, conta ele. “Dá para imaginar mais de 400 rotarianos descobrindo pelo celular. Foi um momento inesquecível. De repente, todos fizeram fila para me beijar e me dar os parabéns. Fiquei profundamente comovido.”
Uma semana após o Conselho realizar uma sessão extraordinária em junho para escolher Arezzo para liderar o Rotary, ele voou para Calgary, Canadá, para a Convenção Internacional do Rotary de 2025. Lá, foi calorosamente recebido por associados do mundo todo. Milhares de participantes interromperam seu discurso com aplausos efusivos na sessão de encerramento, quando ele foi oficialmente apresentado.
Membro do Rotary Club de Ragusa, na Sicília, Arezzo integra o Rotary há mais de três décadas. Ele atuou como vice-presidente da Comissão Conjunta de Planejamento Estratégico, diretor do RI e presidente da Comissão da Convenção Internacional de Melbourne de 2023, entre outros cargos de liderança. Ao longo de sua trajetória no Rotary, Arezzo apoiou iniciativas que fortalecem o impacto do RI e ampliam as oportunidades de engajamento entre gerações. Ele atuou como presidente da Fondazione Rotary Italia, uma iniciativa nacional que facilita o apoio de cidadãos italianos aos projetos humanitários do Rotary em todo o mundo.

A entrevista a seguir foi realizada durante várias conversas com Arezzo em Calgary — no corredor durante os intervalos, dentro de um micro-ônibus a caminho de um evento do Rotary e em um escritório improvisado dentro do salão de convenções, onde rotarianos frequentemente paravam para cumprimentá-lo e abraçá-lo. Apesar da agenda lotada, ele reservou um tempo para conversar com a revista Rotary sobre sua vida, sua trajetória no Rotary, seus planos para a organização e duas de suas outras paixões: ópera e azeite de oliva.

Pergunta: Você trabalha como ortodontista há muitos anos. Há aspectos no seu trabalho que o tornam um rotariano eficaz?
Resposta: Sou ortodontista há 46 anos. Trabalho principalmente com jovens, e é muito importante tentar entendê-los antes de iniciar o tratamento. É preciso conquistar a cooperação deles. Construir esses relacionamentos é um dos melhores aspectos do meu trabalho.
P: E agora você tem netos, certo?
R: Tenho dois netos maravilhosos. O mais velho, de três anos, tem o meu nome: Francesco. A mais nova tem um ano e tem o nome da minha esposa. Então, temos outra Anna Maria e outro Francesco.
P: Você é rotariano há mais de três décadas. Lembra por que decidiu se associar?
R: No começo, o Rotary era apenas um lugar para conhecer novos amigos com diferentes pontos de vista. Foi só quando me tornei presidente do clube que comecei a realmente entender o Rotary. Agora, quando falo com rotarianos, digo a eles para mudarem os verbos que usam. Você não "vai" ao Rotary como vai ao cinema, onde você senta e observa outras pessoas fazendo algo. O Rotary é algo que você faz. Você tem que participar. E então você começa a crescer.
P: Como você cresceu no Rotary?
R: Quando meu clube me propôs pela primeira vez a presidência, eu não quis aceitar. Eu gaguejava, então fiquei com medo de ser obrigado a me dirigir ao meu clube. Mas não foi tão ruim assim. Depois, me convidaram para ser governador de distrito e, novamente, eu não quis aceitar. Mas, mais uma vez, eles me convenceram. Agora, quando penso no fato de que serei presidente do Rotary International e falarei no palco em outro idioma, entendo o quanto o Rotary me mudou de forma positiva e duradoura.
P: Como o Rotary pode transmitir esse impacto aos associados e potenciais associados?
R: Precisamos melhorar nossa comunicação com os presidentes de clube, pois eles estão na linha de frente do relacionamento com os associados. Embora façamos um excelente trabalho instruindo os governadores de distrito sobre a importância do quadro associativo e dos novos clubes, o governador de distrito costuma falar com o presidente do clube apenas duas ou três vezes por ano. Há muitos presidentes de clube que não têm a mínima ideia da importância das nossas metas de aumento de associados.
P: Quais desafios você prevê que enfrentará durante seu mandato como presidente?
R: Tenho plena consciência de que estou começando muito tarde. Mesmo que eu comece a estudar os problemas e a definir metas agora, não consigo fazer muita coisa. O Rotary não é uma scooter que muda de direção rapidamente. É como um grande navio de cruzeiro: se você quiser fazer uma curva, precisa começar com muitos quilômetros de antecedência. Espero trabalhar em estreita colaboração com o presidente eleito SangKoo Yun. Acredito que SangKoo e eu podemos criar um plano de dois anos que será realmente eficaz.
P: Qual foi um dos seus momentos mais memoráveis em todos os seus anos no Rotary?
R: Um momento muito, muito emocionante para mim foi quando, como governador de distrito, organizei um evento do Prêmio Rotary de Liderança Juvenil para distritos banhados pelo Mar Mediterrâneo: Itália, França, Espanha, Norte da África, Grécia e Turquia. O problema era unir os jovens turcos e italianos, porque eles se viam de forma muito diferente. O primeiro dia foi tenso; ficou claro que eles não gostavam um do outro. Mas, depois de alguns dias, eles começaram a descobrir que tinham os mesmos gostos e os mesmos sonhos.
Quando chegou o último dia, eles cantaram "Imagine", de John Lennon, juntos e apresentaram uma esquete que haviam escrito sobre as diferenças culturais entre seus países. Foi uma das coisas mais lindas que me lembro.
P: Na sua vida profissional, você liderou organizações comerciais para dentistas e produtores de azeite. Qual grupo é mais difícil de unir em consenso: dentistas, produtores de azeite ou talvez membros do Rotary?
R: Pela minha experiência, são os produtores de azeite. Cada produtor de azeite está firmemente convencido de que seu azeite é o melhor do mundo. Por isso, geralmente não querem cooperar sinceramente com os outros.
P: Há quanto tempo vocês produzem azeite de oliva?
R: Minha família produz azeite de oliva há mais de um século. Receio que eu seja a última, porque minhas filhas não se interessam por essa área.
P: Soube que você também adora ópera. Qual é a sua ópera ou compositor favorito?
R: Um compositor de quem gosto muito é Vincenzo Bellini. Ele nasceu na Sicília e morreu muito, muito jovem. Ele compôs poucas óperas, mas todas de altíssima qualidade. E, claro, há muitos outros grandes compositores — Puccini, Verdi, Mozart. É difícil escolher um.






